• Flavia Kury - Interiores Corporativos

Pode a arquitetura alterar o cérebro?

Atualizado: Abr 30

Como pessoas se sentem bem em certos ambientes?


Hoje quero compartilhar com vocês uma matéria que foi publicada no site da revista Casa Vogue e que conta como surgiu a necessidade da arquitetura e do design serem estudados sob os pilares da neurociência.

Que os ambientes impactam no comportamento das pessoas é sabido há muito anos, mas quando exatamente, nos demos conta de que podemos utilizar os espaços físicos para realmente estimular benefícios relevantes nas pessoas? Quando percebemos que passou a ser necessário estudar o cérebro humano através da arquitetura e estudar os espaços através da neurociência? Como chegamos ao que hoje chamamos de “neuroarquitetura”, uma expressão popular que define a atuação da neurociência aplicada á arquitetura e ao design de interiores como forma de impactar nas sensações, na saúde, nas relações, nas respostas humanas?


POR MARIANA KINDLE; FOTOS DIVULGAÇÃO03 Dez 2012 - 15h57|Atualizado em 19 Out 2015 - 15h354 publicado https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2012/12/arquitetura-cerebro-neurociencia.html


Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, Itália


Arquitetos e Designers, desde sempre, são profissionais cuja área de atuação toca muitos outros campos da atividade e do conhecimento humanos. A engenharia, o mais óbvio. A arte, idem. Mas também a física e a filosofia. E (por que não?) a neurociência.

Em maio deste ano, o envolvimento entre aqueles que pensam o espaço e aqueles que estudam o próprio pensamento se aprofundou. Na convenção anual de arquitetos, nos Estados Unidos, o sociólogo e arquiteto John Zeisel se aventurou a palestrar sobre neurociência. Para a sua surpresa, a audácia foi bem-recebida, e a sessão se prolongou além do previsto, repleta de perguntas da plateia. Sua pesquisa tratava dos ambientes construídos para receber pacientes de Alzheimer. “Os arquitetos já entendem de estética e psicologia, o próximo passo é compreender o cérebro e seu funcionamento, percebendo por que as pessoas se sentem melhor em certos ambientes”, instigou.

Instituto Salk, San Diego, Estados Unidos 


Para elucidar suas ideias, Zeisel deu o exemplo de Jonas Salk, que, enquanto buscava a cura para a poliomielite, se mudou para a Itália. O cientista sentia que suas capacidades mentais eram aumentadas ou tinham maior fluência dentro da Basílica de São Francisco de Assis – um edifício do século 13 com estilo romanesco. Ele defendeu até o fim da vida que aquela arquitetura teve algum papel em clarear seus pensamentos, removendo as obstruções e permitindo que ele, de fato, encontrasse a resposta que procurava. Anos depois, ao fundar a sua própria instituição de pesquisa, o Instituto Salk, em La Jolla, Califórnia, ele pediu ao arquiteto Louis Kahn que tentasse recriar a aura de estímulo cerebral da basílica numa arquitetura totalmente diferente. O campus, inteiro de concreto, com abundância de luz natural, vista para o oceano Pacífico e uma larga praça central, ecoa a tranquilidade monástica do templo em Assis. Repare nas cores e nos brilhos.


Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, Itália 


Hoje, com quase dez anos de existência, a Academia de Neurociência para Arquitetura (ANFA na sigla em inglês) acredita que o estudo do sistema nervoso pode fazer a maior contribuição para o campo da construção desde os estudos de física do século 19, que estabeleceram novos métodos estruturais, acústicos e de iluminação. Em setembro a academia promoveu a primeira conferência nacional na Califórnia (no Instituto Salk, claro). Foram enviadas dúzias de estudos e propostas sobre o tema. A arquiteta Alison Whitelaw, envolvida no evento, disse: “Eu esperava apenas um punhado de trabalhos, mas recebemos material até de pessoas conhecidas, que não imaginávamos que elas estariam interessadas no assunto”. Se os arquitetos dominarem este novo campo de conhecimento, as possibilidades são incríveis. Poderíamos acabar com locais públicos e privados formatados para as mais diferentes deficiências mentais. Imagine: hospitais com caminhos tão intuitivos que ninguém se perde neles, maternidades cuja arquitetura ajuda no desenvolvimento cerebral dos bebês e clínicas que recuperam autistas e ajudam os pacientes que sofrem de perda de memória a lembrar. Estima-se que os seres humanos passem 90% das suas vidas confinados em ambientes construídos. No entanto, é muito recente o interesse da neurociência no campo da construção. Alison também falou de um estudo atual do Heschong Mahone Group, que demonstrou o impacto da luz natural em escolas. Segundo o grupo, as notas de matemática e leitura melhoraram 20% em salas comprovadamente bem-iluminadas. O projeto destes recintos não levou em conta a questão neural, mas os padrões internacionais de sustentabilidade estabelecidos pela Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED na sigla em inglês). Se um desenho pode ser saudável para o planeta, um projeto também pode ser salubre para o cérebro. Alison aposta no estudo e na criação de arquitetura que incentive a existência dos chamados “ocupantes de alto desempenho”.


Instituto Salk, San Diego, Estados Unidos 


Um dos neurocientistas que vêm se dedicando ao estudo do encontro entre edificação e cognição é Eduardo Macagno, fundador e diretor da Divisão de Ciências Biológicas da Universidade de San Diego e ex-presidente da ANFA. Por meio da StarCAVE, uma máquina composta por 16 painéis de realidade virtual dispostos em círculo, o especialista e sua equipe produzem simulações interativas 3D de espaços arquitetônicos em 360°. Os voluntários que vivenciam ali as diferentes construções projetadas são submetidos a uma eletroencefalografia (EEG) durante o processo, permitindo que imagens de seus cérebros sejam feitas. Alison pede que os profissionais de sua área apostem na técnica conhecida como Design Baseado em Evidência (EBD na sigla em inglês) ou o processo de aplicar informações recolhidas e certificadas no processo de criação. O uso desse método de desenvolvimento, segundo ela, já elenca conquistas, como as novas unidades neonatal, onde a luz e o som são minimizados para proteger os prematuros na fase mais importante de desenvolvimento visual e auditivo. Do outro lado, Macagno incentiva as alianças profissionais feitas entre arquitetos e neurocientistas, chegando a sugerir que, do mesmo modo que há um consultor de acústica envolvido no desenvolvimento dos projetos, haja também um cientista participando do processo. Será este o futuro da arquitetura?


Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, Itália 


Voltando agora para o ano de 2020, temos a arquitetura e o design de interiores com olhos voltados para a neurociência, em estudos necessariamente multidisciplinares que vem nos presenteando com pesquisas e evidências neurocientíficas que muito nos ajudam na tomada de decisões em projetos.


Para quem quer pesquisar mais sobre o assunto, indico aqui fontes sérias de pesquisa:



http://www.anfarch.org

https://www.salk.edu

https://www.neuro.arq.br

http://www.qualidadecorporativa.com.br

https://www.neuroau.com


POR MARIANA KINDLE; FOTOS DIVULGAÇÃO03 Dez 2012 - 15h57|Atualizado em 19 Out 2015 - 15h354 publicado https://casavogue.globo.com/Arquitetura/noticia/2012/12/arquitetura-cerebro-neurociencia.html




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